Food cost é a percentagem do preço de venda de um prato que é gasta em ingredientes. Calcula-se com (Custo dos Ingredientes ÷ Preço de Venda) × 100. Em Portugal, o intervalo ideal varia entre 25% e 35% conforme o tipo de restaurante. Acima disso há desperdício ou preços baixos; abaixo, normalmente qualidade comprometida.
Se não sabes quanto custa cada prato que serves, estás a gerir o restaurante às cegas. Este guia dá-te a fórmula, um exemplo real com Bacalhau à Brás, as percentagens ideais por tipo de casa e um cronograma realista para pôr tudo a funcionar em 4 semanas.
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O que é food cost?
O food cost é a percentagem do preço de venda de um prato que é gasta em ingredientes. Por outras palavras:
Food Cost = (Custo dos Ingredientes ÷ Preço de Venda) × 100
Exemplo rápido: se um prato custa 3€ em ingredientes e vendes por 12€, o food cost é (3 ÷ 12) × 100 = 25%.

Qual a percentagem de food cost ideal em Portugal?
Para a maioria dos restaurantes portugueses, o food cost ideal situa-se entre:
| Tipo de restaurante | Food Cost ideal |
|---|---|
| Restaurante tradicional | 28% – 35% |
| Restaurante de luxo / fine dining | 30% – 40% |
| Fast food / snack | 25% – 32% |
| Cafetaria / pastelaria | 20% – 28% |
Insight contra-intuitivo: ao contrário do que se diz, um food cost abaixo de 20% raramente é eficiência — quase sempre é qualidade comprometida ou preços inflacionados que afastam o cliente recorrente. Trabalha o intervalo certo para o teu segmento; não persigas o número mais baixo possível.
Como calcular o food cost de um prato (passo a passo)
Passo 1: Lista todos os ingredientes
Escreve a ficha técnica do prato — todos os ingredientes e as quantidades exactas. Exemplo com Bacalhau à Brás:
- Bacalhau desfiado: 150g
- Batata palha: 80g
- Ovo: 2 unidades
- Azeite: 30ml
- Cebola: 50g
- Azeitonas: 20g
- Salsa: 5g
Passo 2: Calcula o custo de cada ingrediente
Usa o preço de custo (o que pagaste ao fornecedor, não o preço de retalho):
- Bacalhau: 15€/kg → 150g = 2,25€
- Batata palha: 4€/kg → 80g = 0,32€
- Ovo: 3€/dúzia → 2 ovos = 0,50€
- Azeite: 8€/litro → 30ml = 0,24€
- Cebola: 2€/kg → 50g = 0,10€
- Azeitonas: 6€/kg → 20g = 0,12€
- Salsa: 4€/kg → 5g = 0,02€
Custo total dos ingredientes: 2,25 + 0,32 + 0,50 + 0,24 + 0,10 + 0,12 + 0,02 = 3,55€
Passo 3: Aplica a fórmula
Se vendes o Bacalhau à Brás por 14€:
Food Cost = (3,55€ ÷ 14€) × 100 = 25,4%
Este prato está dentro da margem ideal para um restaurante tradicional.
Cenário ilustrativo: restaurante tradicional
Nota: este é um cenário ilustrativo construído a partir de padrões que vemos em restaurantes acompanhados pela Bitte — não é um caso real com nome. Só publicamos números com autorização expressa do restaurante. Se és cliente Bitte e queres partilhar o teu caso, escreve para hello@joinbitte.com.
Contexto típico: casa de 60 lugares, cozinha tradicional portuguesa, ticket médio ~18€, food cost global de partida na casa dos 38%.
Problemas comuns: fichas técnicas inexistentes, porções inconsistentes entre turnos, desperdício de bacalhau e bife acima da média.
Acções que costumam funcionar em ~12 semanas:
- Fichas técnicas para os pratos do menu, com gramagens fixas.
- Balanças digitais na linha e formação curta à equipa.
- Inventário semanal com FIFO e registo de quebras.
- Re-precificação dos pratos com food cost > 40%.
Ordem de grandeza expectável: uma redução de 5 a 8 pontos percentuais no food cost global em ~12 semanas quando as quatro acções são feitas em conjunto. Os números concretos dependem do teu ponto de partida.
O que incluir (e não incluir) no cálculo
Inclui sempre:
- Custo bruto dos ingredientes (preço de fornecedor).
- Perdas na preparação (descasque, corte, peso após cozedura).
- Guarnições e acompanhamentos servidos no prato.
Não incluas:
- Mão de obra (salários da cozinha).
- Overhead (renda, luz, água, marketing).
- Embalagens (contabilizam-se à parte em takeaway).
Como reduzir o food cost sem perder qualidade
1. Negocia com fornecedores
Compra em maior volume, estabelece contratos de longo prazo e compara preços trimestralmente.
2. Reduz o desperdício
- Faz inventários semanais — sabe o que tens e quando expira.
- Usa o sistema FIFO (First In, First Out): primeiro a entrar, primeiro a sair.
- Padroniza porções com balanças e doseadores.
Segundo a AHRESP, o desperdício alimentar representa em média 8 a 10% do custo total da matéria-prima nos restaurantes portugueses — é o primeiro sítio onde procurar margem.
3. Aproveita tudo
Cascas, ossos e restos transformam-se em caldos, molhos e pratos do dia.
4. Revê o menu regularmente
Retira ou repreciaa pratos com food cost alto e pouca procura. Destaca os de margem elevada no menu digital.
5. Controla o stock
- Registo de entradas e saídas diário.
- Contagem periódica do stock.
- Câmaras na zona de armazenamento.
Cronograma de implementação realista
Não tentes mudar tudo numa semana. Este é o plano que funciona na maioria das casas:
- Semana 1: escreve fichas técnicas para os 10 pratos mais vendidos.
- Semanas 2 e 3: regista cada compra e atribui custo unitário aos ingredientes.
- Semana 4: fecha o primeiro mês com inventário e calcula food cost global.
- Mês 2: ajusta o menu (retira ou reprifica os pratos fora do intervalo).
- Mês 3: revisão completa e auditoria de desperdício na linha.
Conta com 2 a 4 semanas para ter o sistema a funcionar e 2 a 3 meses para ver impacto consistente nos números, incluindo formação da equipa.
“Nos restaurantes que acompanhamos, baixar o food cost em 3 pontos percentuais costuma valer mais do que abrir 2 mesas extra ao serviço.” — Diogo Resende, Co-fundador da Bitte
Food cost global vs. food cost por prato
Food cost por prato ajuda-te a precificar correctamente cada item do menu.
Food cost global (total de custos de alimentos ÷ total de vendas de alimentos) dá a visão geral da cozinha.
Calcula o food cost por prato para cada novo item; o global, todos os meses.
Pratos mais rentáveis: o que vender mais
Alguns pratos têm naturalmente food cost baixo e preço percebido alto:
- Massas e risotos: custo baixo, percepção premium.
- Sobremesas: margens muito elevadas (custam 0,50€, vendem-se a 4€).
- Café: uma das maiores margens do restaurante.
- Vinho da casa: compras a 2€, vendes a 8€–12€.
Destaca estes itens no teu menu digital com fotos apetitosas — o destaque visual aumenta as vendas dos pratos de maior margem.
Para onde vai o food cost até 2027
A estratégia Farm to Fork da Comissão Europeia aponta para uma redução de 50% do desperdício alimentar per capita até 2030 . Até 2027, esperamos ver fichas técnicas e previsão de compras automatizadas a passar de “nice to have” a standard nas casas que querem manter food cost estável com a inflação alimentar.
Perguntas frequentes
Food cost inclui bebidas?
Não. Bebidas têm o seu próprio indicador: beverage cost. Calcula-se da mesma forma, mas separadamente.
Qual a diferença entre food cost e gross profit?
Food cost é a percentagem do custo dos alimentos. Gross profit (margem bruta) é o que sobra depois de pagar os ingredientes. Se o food cost é 30%, a gross profit é 70%.
Como faço o inventário de stock?
Conta tudo o que tens no armazém e na cozinha no final do mês. Multiplica as quantidades pelo preço de custo. Compara com o mês anterior para ver tendências.
Posso ter food cost abaixo de 20%?
Podes, mas é raro e geralmente indica preços muito altos ou qualidade inferior. A maioria dos restaurantes de qualidade trabalha entre 25% e 35%.
Quanto tempo demora a implementar um sistema de food cost?
Entre 2 e 4 semanas para ter o sistema a funcionar e 2 a 3 meses para ver impacto consistente nos números, incluindo formação da equipa.
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Fontes oficiais
- AHRESP — Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal.
- Comissão Europeia — Farm to Fork — estratégia europeia de redução de desperdício alimentar.
- IAPMEI — ferramentas de gestão para PMEs.
- INE — dados de consumo e restauração.
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