“Há uma diferença enorme entre desenvolver software com muitas funcionalidades e desenvolver software que realmente ajuda quem o utiliza.”
Há uma coisa que me continua a surpreender quando falo com donos de restaurantes: a quantidade de software que utilizam.
Têm um programa de faturação, outro para reservas, outro para menus, outro para entregas, outro para pagamentos e, muitas vezes, ainda algumas folhas de Excel para tentar juntar a informação toda.
O curioso é que nenhuma destas ferramentas é necessariamente má. O problema é que muitas não comunicam entre si. E aquilo que devia simplificar o trabalho acaba, por vezes, por complicá-lo.
Sou um dos fundadores da Bitte, uma plataforma de gestão para restaurantes, e tenho também vários anos de experiência em análise de dados e inteligência artificial. Ao longo deste percurso, fui percebendo que existe uma diferença enorme entre desenvolver software com muitas funcionalidades e desenvolver software que realmente ajuda quem o utiliza.
Neste artigo, quero partilhar algumas das coisas que tenho aprendido com restaurantes: quais são as ferramentas mais utilizadas, quanto custam, o que considero essencial e, sobretudo, como perceber se um programa está realmente a trazer valor ao negócio.
Índice
- Que software utiliza a maioria dos restaurantes?
- Quanto custa um software de gestão para restaurantes?
- Qual é o melhor software para gerir um restaurante?
- O software pode reduzir os custos com pessoal?
- Como escolher um software de gestão?
- Que funcionalidades deve ter?
- E qual é o papel da inteligência artificial?
- Vai substituir os funcionários?
- Afinal, vale a pena?
- Perguntas Frequentes
Que software utiliza a maioria dos restaurantes?
Em Portugal, praticamente todos os restaurantes com quem falamos utilizam algum tipo de software de faturação ou POS (point of sale).
É natural. A emissão de faturas é obrigatória e, nas situações previstas na legislação portuguesa, é necessário utilizar programas certificados pela Autoridade Tributária.
Existem várias soluções no mercado, como o XD Rest, o ZS Rest e o Moloni. Algumas estão mais focadas na faturação, enquanto outras incluem gestão de mesas, pedidos, stocks e outras funcionalidades.
Depois começam a aparecer as restantes ferramentas.
Um restaurante que trabalha com reservas pode utilizar o TheFork. Se faz entregas, provavelmente trabalha com a Uber Eats ou a Glovo. Pode ter ainda um fornecedor para o menu digital, outro para os pagamentos e outro para responder às avaliações dos clientes.
E depois temos o marketing, a gestão de pessoal, as compras, os fornecedores e a análise de dados.
Não é difícil perceber como um restaurante acaba com cinco, seis ou mais plataformas diferentes.
E onde entra o Excel?
Continuo a encontrar restaurantes que utilizam Excel para controlar compras, margens, horários e outras operações.
E não há nada de errado com isso. O Excel é uma ferramenta fantástica. Eu próprio trabalhei durante anos com análise de dados e continuo a utilizá-lo.
Mas há uma diferença entre analisar informação individualmente e gerir uma operação em que várias pessoas precisam de trabalhar em conjunto.
Num restaurante, há empregados de mesa, cozinheiros, gerentes e, por vezes, várias pessoas responsáveis pelas compras ou pela gestão do menu.
Quando todos dependem de folhas de cálculo que precisam de ser atualizadas manualmente, torna-se mais difícil garantir que a informação está correta.
É aqui que vejo uma das grandes oportunidades do software para restaurantes: permitir que as pessoas trabalhem com a mesma informação, sem precisarem de introduzir os mesmos dados em vários sítios.
Quanto custa um software de gestão para restaurantes?
Depende muito do tipo de software e das funcionalidades que procuras.
Em Portugal, existem programas de faturação bastante acessíveis. Algumas soluções começam abaixo dos 10 € mensais, enquanto outras, mais orientadas para a restauração, podem custar 20 €, 30 € ou mais por mês.
A faturação é uma atividade relativamente padronizada. Há regras fiscais que têm de ser cumpridas, mas muitos dos processos fundamentais já estão definidos há bastante tempo.
Por isso, faz sentido que existam soluções económicas para esta necessidade.
A questão muda quando começamos a juntar outras funcionalidades.
Um sistema de reservas, uma plataforma de marketing, ferramentas de análise de dados, gestão de stocks e pagamentos podem fazer com que o custo mensal chegue a várias centenas de euros.
E ainda nem falámos das comissões.
O custo que nem sempre aparece na mensalidade
Há vários custos a que os restaurantes devem prestar atenção antes de contratar software. Por exemplo:
| Custo | Quando o pagas |
|---|---|
| Comissões por reservas | A cada reserva |
| Comissões sobre encomendas de delivery | A cada encomenda |
| Taxas de processamento de pagamentos | A cada pagamento |
| Instalação e configuração | Uma vez, no início |
| Equipamentos | Compra de uma vez, ou aluguer todos os meses |
| Manutenção e assistência técnica | Todos os meses |
| Funcionalidades adicionais | Todos os meses, numa subscrição mais cara |
Uma coisa que me faz alguma confusão é encontrar empresas que cobram uma subscrição mensal e, por cima disso, uma taxa de manutenção.
Se estou a pagar uma subscrição, considero que as atualizações e a manutenção normal do software deveriam estar incluídas. Naturalmente, uma instalação presencial ou assistência técnica especializada podem justificar custos adicionais.
Mas o restaurante deve saber exatamente aquilo que está a pagar.
Será que faz sentido pagar comissões por reservas?
Vou dar um exemplo que encontro frequentemente.
Sou cliente de um restaurante. Já lá fui, gosto da comida e quero voltar.
Vou ao Google, procuro o nome do restaurante e faço uma reserva através de uma plataforma externa.
Dependendo da plataforma e do canal utilizado, o restaurante pode ter de pagar uma comissão por essa reserva.
Mas quem trouxe o cliente?
Eu já conhecia o restaurante. Já tinha decidido que queria voltar.
Na minha opinião, há uma diferença muito grande entre uma plataforma que traz novos clientes e uma plataforma que apenas processa reservas de pessoas que já conhecem o estabelecimento.
Não tenho problema nenhum com a primeira situação. Se uma plataforma consegue convencer alguém a experimentar um restaurante que não conhecia, está a prestar um serviço com valor comercial.
O problema é quando o restaurante paga comissões por clientes que provavelmente teria recebido na mesma.
Claro que nem todas as plataformas funcionam da mesma maneira. Por exemplo, o TheFork distingue determinadas reservas feitas através dos seus próprios canais das reservas realizadas diretamente no website do restaurante, de acordo com as condições comerciais aplicáveis.
Por isso, antes de contratar um serviço de reservas, vale a pena perceber que reservas geram comissões, quais estão incluídas na mensalidade e, principalmente, quantos clientes novos a plataforma consegue realmente trazer.
Qual é o melhor software para gerir um restaurante?
Seria estranho não mencionar a Bitte, uma vez que sou um dos seus fundadores.
Criámos a plataforma precisamente porque víamos restaurantes a utilizar demasiadas ferramentas para tarefas que, na nossa opinião, deveriam estar ligadas.
A Bitte junta menus digitais, reservas, pedidos, pagamentos e diferentes componentes da operação. Também procuramos ajudar os restaurantes a melhorar a presença digital e a chegar a novos clientes.

Mas ainda não fazemos tudo. As integrações com plataformas de delivery, como a Glovo e a Uber Eats, continuam a ser desenvolvidas, tal como estamos a terminar a componente de faturação.
Digo isto porque não acredito que exista um software perfeito para todos os restaurantes.
Um café com dez mesas tem necessidades muito diferentes de um restaurante com 150 lugares ou de um grupo com vários estabelecimentos.
Para um pequeno café, talvez seja suficiente um bom sistema de faturação, um menu digital e uma forma simples de receber pagamentos.
Um restaurante com muitas reservas pode beneficiar bastante de confirmações automáticas, lembretes e gestão de mesas.
Já um grupo com vários restaurantes pode precisar de relatórios centralizados, controlo de stocks e gestão de utilizadores em diferentes localizações.
Antes de comparar fornecedores, começaria por uma pergunta: qual é o problema que estou a tentar resolver?
Se tens dificuldades em atrair clientes, procura ferramentas que ajudem a melhorar a visibilidade e as reservas.
Se estás a perder demasiado tempo com tarefas administrativas, procura automações.
Se vendes bastante, mas tens dificuldade em perceber quanto dinheiro sobra no final do mês, talvez precises de melhorar o controlo de custos e a análise de dados.
Não vale a pena pagar por dezenas de funcionalidades que nunca vais utilizar.
| Tipo de casa | O que costuma chegar |
|---|---|
| Café com dez mesas | Faturação, menu digital e uma forma simples de receber pagamentos |
| Restaurante com muitas reservas | Confirmações automáticas, lembretes e gestão de mesas |
| Grupo com vários espaços | Relatórios centralizados, controlo de stocks e gestão de utilizadores |
O software pode reduzir os custos com pessoal?
Pode, mas gosto mais de pensar no impacto que tem na produtividade.
Vamos pensar num restaurante cheio, num sábado à noite.
Os empregados estão constantemente a circular entre as mesas, a cozinha e o balcão. Há clientes à espera para fazer pedidos, outros querem pagar e outros estão à espera de uma recomendação.
Por muito boa que seja a equipa, os empregados não se multiplicam quando o restaurante enche.
Agora imagina que os clientes podem consultar o menu, ver fotografias dos pratos e fazer um pedido diretamente pelo telemóvel.
Isso significa que já não precisamos dos empregados?
Não necessariamente.
Significa que eles podem dedicar mais tempo às tarefas em que realmente fazem a diferença: explicar os pratos, recomendar um vinho, esclarecer dúvidas ou garantir que os clientes estão satisfeitos.
Há uma componente humana na restauração que considero muito importante. O software deve ajudar a valorizá-la.
Há tarefas que não precisam de ser feitas por pessoas
Imagina que um cliente está sentado há algum tempo e ainda não fez nenhum pedido.
É possível criar um sistema que avise a equipa quando uma mesa precisa de atenção.
Desta forma, ninguém tem de estar constantemente a verificar o relógio ou a tentar lembrar-se de quando cada mesa foi atendida.
O mesmo acontece com as reservas.
Um cliente faz uma reserva, recebe a confirmação e, mais perto da data, recebe um lembrete. Depois da visita, o restaurante pode enviar uma mensagem a pedir a sua opinião.
São tarefas importantes, mas não precisam de ocupar constantemente um funcionário.
E há outra situação que muitas vezes esquecemos: as horas com pouco movimento.
Se um restaurante tem apenas uma ou duas mesas ocupadas às quatro da tarde, talvez não faça sentido manter exatamente a mesma equipa que tem durante o jantar.
Nesses períodos, permitir que os clientes façam pedidos e pagamentos de forma autónoma pode ajudar a reduzir custos sem comprometer necessariamente o serviço.
Naturalmente, poupar tempo não significa sempre poupar dinheiro. A redução efetiva dos custos com pessoal depende de conseguir reorganizar horários, evitar horas adicionais ou aumentar a produtividade da equipa.
Mas, mesmo quando não reduz diretamente a despesa salarial, o software pode melhorar bastante o funcionamento do restaurante.
E há algo que também valorizo: a qualidade de vida.
Se uma ferramenta custa 100 € por mês, mas resolve duas grandes dores de cabeça ao proprietário, pode valer perfeitamente o investimento.
Como escolher um software de gestão para restaurantes?
Um dos maiores erros que vejo é contratar software sem perceber exatamente o que se pretende alcançar.
Às vezes, os restaurantes escolhem uma ferramenta porque outro restaurante a utiliza. Outras vezes, porque tem muitas funcionalidades ou porque o vendedor fez uma boa apresentação.
Mas ter muitas funcionalidades não significa necessariamente que o software seja adequado.
Há alguns critérios a que daria especial atenção.
| Critério | A pergunta a fazer ao fornecedor |
|---|---|
| Como ajuda o negócio | Como é que isto aumenta receitas, reduz custos ou melhora a experiência? |
| Fala com o que já tens | Se mudo um preço aqui, altera-se sozinho nas outras plataformas? |
| Fidelização | Como é o cancelamento, a renovação, a saída e a exportação dos dados? |
| Continua a evoluir | A empresa ainda investe no produto, ou está parada há anos? |
| Experimenta antes | Quanto tempo demora a mudar um preço ou a marcar um produto esgotado? |
1. Percebe como vai ajudar o negócio
A primeira pergunta que faria a qualquer fornecedor é: como é que este software me vai ajudar a aumentar receitas, reduzir custos ou melhorar a experiência dos clientes?
Não precisa de fazer as três coisas ao mesmo tempo. Mas deve resolver algum problema concreto.
Se uma plataforma promete trazer novos clientes, pede exemplos de como o faz.
Uma coisa que costumo analisar é se as pessoas procuram ativamente pela marca da plataforma, se utilizam a sua aplicação e se existe uma audiência própria.
Estes indicadores não são suficientes para provar que vai trazer clientes ao teu restaurante, mas ajudam a perceber se existe procura real pelo serviço.
Também vale a pena perguntar quantas reservas ou encomendas resultam de clientes novos, em vez de clientes que já conheciam o restaurante.
2. Verifica se comunica com os sistemas existentes
Este ponto é fundamental.
Cada programa adicional pode representar mais trabalho: outra conta, outra interface e mais informação que precisa de ser atualizada.
Se mudas o preço de um prato, tens de o alterar manualmente em três plataformas?
Se recebes um pedido online, ele entra automaticamente no sistema da cozinha?
Se um cliente faz uma reserva, a equipa consegue consultar essa informação sem abrir outra aplicação?
Idealmente, as ferramentas devem partilhar os dados necessários.
Não é obrigatório ter tudo numa única plataforma, mas convém evitar trabalho duplicado.
3. Tem atenção à fidelização
Um software pode ser excelente hoje e deixar de ser adequado daqui a dois anos.
O restaurante pode crescer, mudar o modelo de negócio ou simplesmente encontrar uma solução melhor.
É por isso que não gosto de contratos que dificultam desnecessariamente a saída dos clientes.
Na Bitte, por exemplo, temos opções mensais e anuais. Os restaurantes podem escolher a modalidade que faz mais sentido para eles.
Antes de contratar, verifica as condições de cancelamento, a renovação automática, os custos de saída e a possibilidade de exportar os teus dados.
A última coisa que queres é ficar preso a uma ferramenta apenas porque mudar é demasiado complicado.
4. Procura software que continue a evoluir
Pessoalmente, prefiro um software que está constantemente a melhorar a outro que não apresenta grandes novidades há anos.
A restauração existe há séculos, mas a forma como os clientes escolhem restaurantes mudou bastante.
Hoje, uma pessoa pode descobrir um restaurante no Instagram, procurar fotografias no Google Maps, consultar a ementa online e fazer uma reserva sem nunca telefonar.
E começam também a surgir novas formas de descobrir restaurantes através de ferramentas de inteligência artificial.
Um website que não é atualizado há anos, com informação incompleta ou difícil de interpretar, pode estar a perder oportunidades.
Por isso, interessa-me perceber se a empresa que desenvolve o software continua a investir no produto.
Não falo de acrescentar funcionalidades apenas para ter novidades. Falo de acompanhar mudanças reais no comportamento dos clientes e nas necessidades dos restaurantes.
5. Experimenta antes de contratar
Não te limites a ver uma apresentação comercial.
Pede para experimentar tarefas concretas.
Quanto tempo demora a alterar um preço? Como se marca um produto como esgotado? É fácil confirmar uma reserva? Como se consulta o desempenho das vendas?
Se uma operação simples exige vários minutos e demasiados cliques, provavelmente será ainda mais frustrante durante um serviço movimentado.
O software deve adaptar-se à forma como o restaurante trabalha, e não obrigar toda a equipa a trabalhar à volta das limitações do programa.
Que funcionalidades deve ter um bom software para restaurantes?
Para além das funções mais óbvias, como faturação, pedidos, pagamentos e reservas, há duas áreas que considero especialmente importantes: automação e análise de dados.
São também áreas que muitos restaurantes acabam por subestimar.
As pequenas automações fazem uma grande diferença
Vou dar um exemplo muito simples.
Acabou a Coca-Cola.
O empregado vai ao sistema e indica que o produto está indisponível.
Mas há uma diferença entre ter acabado a Coca-Cola hoje e deixar de vender Coca-Cola definitivamente.
Num caso, queremos retirar temporariamente o produto do menu. No outro, queremos removê-lo.
Parece um detalhe insignificante, mas é precisamente neste tipo de situações que se percebe se um software foi pensado para a realidade de um restaurante.
Outro exemplo é a gestão de reservas.
Não deveria ser necessário enviar manualmente todas as confirmações, lembretes e mensagens de acompanhamento.
O sistema deve permitir automatizar estes processos, mantendo o controlo do restaurante sobre as regras.
Quanto menos tempo a equipa tiver de passar a fazer tarefas repetitivas, melhor.
Os restaurantes precisam de perceber os lucros, não apenas as vendas
Esta é provavelmente uma das áreas em que mais noto a influência da minha experiência em análise de dados.
É relativamente fácil saber quais são os pratos mais vendidos.
O que já é mais difícil é perceber quais são os mais rentáveis e, sobretudo, como as nossas decisões afetam essa rentabilidade.
Vou dar um exemplo.
Imagina que vendes um prato por 12 €, com IVA incluído. Para simplificar as contas, vamos assumir que isso corresponde a aproximadamente 10 € de receita sem IVA.
Os ingredientes custam 4 €.
Portanto, sobram 6 € depois de pagar os ingredientes, o que representa uma margem de 60%, antes dos restantes custos do restaurante.
Agora decides fazer uma promoção de dois pratos pelo preço de um.
Continuas a receber 10 €, mas tens de preparar dois pratos. O custo dos ingredientes passa para 8 €.
De repente, a margem passou de 60% para 20%.
E estamos a falar apenas dos ingredientes. Ainda faltam salários, energia, renda e outros custos.
Agora imagina que cada prato custa 6 € em ingredientes.
Sem a promoção, tinhas uma margem de 40%. Com a promoção, gastas 12 € em ingredientes para receber apenas 10 €.
Passaste de uma margem de 40% para uma margem negativa de 20%.
É uma diferença enorme.
E não é necessariamente intuitivo fazer estas contas de cabeça enquanto estamos a gerir um restaurante.
É aqui que um bom software de análise de dados pode ajudar.
Nem todos os descontos fazem sentido
Há ainda outra questão que considero importante: quando é que devemos fazer uma promoção?
Se o restaurante está sempre cheio ao sábado, será que faz sentido oferecer descontos nesse dia?
Se as pessoas já iam aparecer e pagar o preço normal, provavelmente estamos apenas a abdicar de margem.
Mas e se fizermos a mesma promoção numa terça-feira, quando metade das mesas está vazia?
Nesse caso, podemos estar a atrair clientes que, de outra forma, não teriam visitado o restaurante.
Em análise de dados, chamamos a isto incrementalidade.
O que interessa perceber não é apenas quantas vendas tivemos durante a promoção, mas quantas vendas adicionais aconteceram por causa dela.
Claro que também precisamos de garantir que essas vendas continuam a ser rentáveis.
Estas decisões são difíceis de tomar apenas por intuição. E é precisamente para isso que os dados deveriam servir.
Mas há uma coisa que considero fundamental: não quero que o proprietário tenha de passar horas a estudar gráficos para chegar a uma conclusão.
Quero que o software identifique o que está a acontecer e apresente informação que ajude a decidir.
E qual é o papel da inteligência artificial?
Acredito que a inteligência artificial vai ter um impacto enorme na restauração, sobretudo na automatização de tarefas.
Mas não acho que todos os restaurantes precisem de um chatbot só porque a inteligência artificial está na moda.
O que precisam é de ferramentas que façam trabalho útil.
Imagina que tens uma ementa com 100 pratos e queres disponibilizá-la em português, inglês, francês, alemão e espanhol.
Não faz sentido estar a traduzir cada prato manualmente.
O mesmo acontece com as descrições. A inteligência artificial pode ajudar a criar textos que expliquem melhor os pratos, desde que o restaurante confirme a informação.
E depois há as fotografias.
Se tiraste 100 fotografias dos teus pratos, porque é que tens de carregar cada uma individualmente e associá-la manualmente ao prato correspondente?
É exatamente este tipo de tarefa que a inteligência artificial pode ajudar a automatizar.
Na Bitte, estamos também a trabalhar na ideia de um assistente que conhece a operação do restaurante e consegue analisar informação, identificar problemas e sugerir melhorias.
Por exemplo, em vez de obrigar o proprietário a analisar vários relatórios, o assistente poderia alertar para uma quebra na margem de determinado prato ou identificar oportunidades de melhorar os resultados.

Naturalmente, algumas destas funcionalidades ainda estão em desenvolvimento e a inteligência artificial continua a precisar de supervisão, sobretudo quando trabalha com informações sensíveis, como ingredientes ou alergénios.
Mas a direção parece-me clara: as pessoas não deveriam ter de fazer manualmente tarefas que o software consegue resolver de forma fiável.
O software para restaurantes vai substituir os funcionários?
Não acredito que seja esse o principal objetivo.
Um restaurante é uma experiência humana. As pessoas vão lá pela comida, pelo ambiente, pela companhia e, muitas vezes, pelo serviço.
Um bom empregado consegue melhorar uma refeição. Pode recomendar um prato, explicar uma especialidade da casa ou perceber que um cliente precisa de ajuda.
Mas será que precisamos sempre de um empregado para entregar um menu ou processar um pagamento?
Não necessariamente.
Acho que a tecnologia deve assumir as tarefas mais mecânicas e permitir que os funcionários se concentrem nas interações em que realmente acrescentam valor.
E também devemos reconhecer que nem todos os clientes querem a mesma experiência.
Há quem goste de conversar com o empregado e pedir recomendações. Há quem queira simplesmente fazer uma refeição rápida, sem esperar para pedir ou pagar.
O restaurante pode oferecer as duas possibilidades.
Um exemplo: os turistas e os menus portugueses
Uma das coisas que tentamos resolver na Bitte é a dificuldade que muitos turistas têm em compreender os menus.
Portugal recebe visitantes de todo o mundo e nem toda a gente fala português ou inglês fluentemente.
Mas mesmo quando falam inglês, há pratos que não são fáceis de explicar.
O que é uma francesinha? E um arroz de miúdos?
Traduzir literalmente o nome nem sempre ajuda.
Por isso, damos importância a menus com fotografias, descrições e traduções em várias línguas.
O cliente consegue perceber melhor aquilo que está a pedir e o empregado não precisa de explicar repetidamente os mesmos pratos.
É uma situação em que a tecnologia melhora a experiência dos dois lados.
O software também pode ajudar a atrair clientes
Há uma última componente que considero importante e que muitas vezes fica esquecida nas discussões sobre software de gestão: o marketing.
Se alguém já conhece o nome de um restaurante, normalmente consegue encontrá-lo no Google.
Mas se pesquisar por “restaurantes em Coimbra” ou “onde comer em Lisboa”, a situação muda.
Há centenas de opções.
O restaurante precisa de competir pela atenção de pessoas que ainda não o conhecem.
Na Bitte, tentamos ajudar nesta área através dos menus digitais, das páginas dos restaurantes, de conteúdos sobre cidades e restaurantes e de colaborações nas redes sociais.
Conseguimos acompanhar impressões e visitas às páginas e menus, o que nos permite perceber se os restaurantes estão a ganhar visibilidade.
Naturalmente, uma visita online não significa necessariamente uma reserva ou uma refeição. Mas é uma parte importante do processo de descoberta.
E é por isso que acho que o software para restaurantes deve ir além da gestão de pedidos ou da faturação.
Também deve ajudar a atrair clientes, facilitar a experiência e incentivar as pessoas a voltar.
Afinal, vale a pena investir em software de gestão para restaurantes?
Na maioria dos casos, sim. Mas não vale a pena contratar ferramentas só porque existem ou porque outros restaurantes as utilizam.
Começaria sempre por perceber onde estão os problemas.
Se a equipa perde demasiado tempo a gerir reservas, talvez faça sentido automatizá-las.
Se os clientes têm dificuldade em encontrar o menu ou compreender os pratos, talvez um bom menu digital seja uma prioridade.
Se o restaurante vende bastante, mas tem margens reduzidas, provavelmente é mais importante melhorar a análise de custos do que contratar mais uma ferramenta de marketing.
E se já utilizas seis plataformas diferentes, talvez o primeiro passo seja perceber quantas delas são realmente necessárias.
Há também uma coisa que não devemos esquecer: o software tem de continuar a evoluir.
A forma como as pessoas descobrem restaurantes, fazem reservas, encomendam comida e pagam está constantemente a mudar. As ferramentas que utilizamos devem acompanhar essas mudanças.
No fundo, aquilo que procuro num bom software é bastante simples.
Quero que resolva problemas sem criar outros. Que automatize tarefas repetitivas. Que ajude a tomar melhores decisões. E que permita aos proprietários e funcionários passar menos tempo a gerir programas e mais tempo a gerir o restaurante.
É essa a ideia por detrás da Bitte e aquilo que tentamos melhorar todos os dias.
Porque, no final, o restaurante não precisa de mais trabalho. Precisa de ferramentas que o ajudem a trabalhar melhor.
| Se o problema é | A prioridade é |
|---|---|
| A equipa perde tempo a gerir reservas | Automatizá-las |
| Os clientes não encontram ou não percebem o menu | Um bom menu digital |
| Vendes bastante, mas a margem é curta | Melhorar a análise de custos, antes de mais uma ferramenta de marketing |
| Já usas seis plataformas diferentes | Perceber quantas delas são realmente necessárias |
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Perguntas Frequentes
Quanto custa um software de gestão para restaurantes?
Depende das funcionalidades. Em Portugal há programas de faturação a partir de menos de 10 € por mês, e soluções mais orientadas para a restauração entre os 20 € e os 30 € ou mais. Quando juntas reservas, marketing, análise de dados, stocks e pagamentos, o custo mensal pode chegar a várias centenas de euros. A isso somam-se comissões e taxas que não aparecem na mensalidade.
Faz sentido pagar comissões por reservas?
Depende de quem traz o cliente. Se a plataforma convence alguém a experimentar um restaurante que não conhecia, está a prestar um serviço com valor comercial. Se o cliente já conhecia a casa e só usou a plataforma para marcar, o restaurante está a pagar por uma reserva que provavelmente teria na mesma. Antes de contratar, percebe que reservas geram comissões e quantos clientes novos a plataforma traz de facto.
O software reduz os custos com pessoal?
Pode, mas o efeito mais fiável é na produtividade. Poupar tempo só se transforma em dinheiro se conseguires reorganizar horários, evitar horas adicionais ou aumentar a produtividade da equipa. Mesmo quando não reduz a despesa salarial, costuma melhorar o funcionamento do serviço.
Uma promoção de dois pratos por um compensa?
Faz as contas à margem antes de decidir. Num prato com 10 € de receita sem IVA e 4 € de ingredientes, a margem cai de 60% para 20%. Se os ingredientes custarem 6 €, passas de 40% para menos 20%, ou seja, gastas 12 € para receber 10 €. E isso é antes de salários, energia e renda.
O software vai substituir os funcionários?
Não é esse o objetivo. Um restaurante é uma experiência humana e um bom empregado melhora uma refeição. O que a tecnologia pode fazer é assumir as tarefas mecânicas, como entregar um menu ou processar um pagamento, para que a equipa passe mais tempo onde acrescenta valor.
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